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Só 48,5% dos portugueses sabem que as pensões pagas hoje saem dos descontos de quem está a trabalhar. Os restantes dividem-se entre quem julga que cada pessoa recebe o que acumulou na carreira (27,8%), quem aponta os impostos de todos os contribuintes (17,7%) e quem não sabe responder (6%).
Os reformados, um em cada quatro inquiridos, são os que pior conhecem o sistema. Os dados são de um inquérito sobre poupança para a reforma da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF), divulgado em outubro de 2026, feito a 801 pessoas com 18 ou mais anos entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026.
Como funciona, afinal
No sistema previdencial da Segurança Social, o dinheiro que cada trabalhador desconta não fica numa conta com o seu nome. Segue para pagar as pensões desse mês. Chama-se modelo de repartição.
O relatório da NOVA IMS encomendado pela ASF descreve-o como um "contrato social implícito entre gerações, em que a sustentabilidade financeira depende da relação entre contribuintes ativos e beneficiários".
No regime geral dos trabalhadores por conta de outrem, a Taxa Social Única é de 34,75% do salário bruto: 11% descontados ao trabalhador e 23,75% pagos pela empresa. As contribuições são retidas e entregues à Segurança Social, que as usa para pagar as pensões em curso. Não ficam guardadas para ti.
A idade da reforma sobe com a esperança de vida
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Aqui os portugueses mostram mais certezas: 69,6% sabem que, com o aumento da esperança de vida, a idade da reforma sobe. Desde 2015 que a idade normal de acesso à pensão de velhice está ligada à esperança de vida. Em 2026, é de 66 anos e 9 meses. Entre quem ainda trabalha, 61,4% esperam reformar-se sem penalizações entre os 66 e os 70 anos.
Menos trabalhadores, pensões mais baixas
O índice de dependência de idosos deverá chegar aos 68,6% em 2050, acima dos 55,2% previstos para a média da União Europeia.
As projeções da Comissão Europeia citadas no relatório indicam que a taxa de substituição bruta, ou seja, o peso da primeira pensão no último salário, passa de 69,4% em 2022 para 38,9% em 2070, depois de um máximo de 94% em 2041. Em 2024, a pensão média anual da Segurança Social foi de 7.665 euros, 11,7% abaixo do limiar de risco de pobreza, de 8.679 euros.
O relatório conclui que "a função de substituição de rendimento do sistema público será menor no futuro, reforçando a importância da poupança complementar para garantir níveis de vida adequados após a reforma".
Os portugueses ainda contam só com o Estado
O comportamento dos portugueses ainda não acompanha este aviso. Em 2023, 80,9% esperavam financiar a reforma sobretudo com a pensão da Segurança Social e só 11,3% previam recorrer a produtos de poupança individuais, segundo o Inquérito à Literacia Financeira.
No inquérito de 2026, 28% têm pelo menos um produto de poupança para a reforma, e quem trabalha dá nota 5 em 10 à confiança no rendimento que terá. Entre os reformados, 61% dizem que o nível de vida desceu depois de deixarem de trabalhar.
Como lembra o Observatório, perceber como funciona o sistema de pensões, de onde vem o dinheiro e o que determina a idade da reforma, "revela-se determinante para a qualidade do planeamento a longo prazo". O primeiro passo é fazer as contas ao que vais precisar e ao que podes começar a pôr de lado já.
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Termos neste artigo
Escrito por Luís Leitão — para o Portefólio Perfeito.
Escrito por Luís Leitão. Este artigo foi publicado originalmente no ECO a 28 de outubro de 2026.
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