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Os fundos nacionais que mais brilharam em 2025

A grande maioria dos fundos portugueses bateu a inflação em 2025, mas mais de metade dos gestores não conseguiu superar o índice de referência. Estes foram os vencedores e os derrotados de cada categoria.

Luís Leitão·2 de fevereiro de 2026·Publicado no ECO
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2025 ficará para a história como um dos anos mais notáveis para as bolsas da Península Ibérica. O PSI subiu 29,6%, o melhor desempenho desde 2006, e o IBEX 35 valorizou 49%, o maior ganho desde 1993.

Do outro lado do Atlântico, a onda também se fez sentir, apesar da queda abrupta de abril com o anúncio das tarifas de Donald Trump. O S&P 500 subiu pelo terceiro ano seguido, 17,9%, impulsionado pela inteligência artificial e pelos lucros das grandes tecnológicas.

Para os fundos domiciliados em Portugal e regulados pela CMVM, o ano foi amplamente positivo, segundo dados da CMVM e da Refinitiv. Dos 286 fundos abertos com pelo menos um ano de atividade analisados pelo ECO, só 32, cerca de 11%, fecharam o ano com perdas. E 67,5% renderam acima da média de 2,3%.

Mas nem tudo foram rosas. Mais de metade (52%) dos gestores não conseguiu superar o índice de referência (benchmark), uma taxa de insucesso que mostra a dificuldade da indústria em justificar as comissões face às alternativas passivas. Nos fundos de ações, só 28% dos gestores bateram o benchmark.

Ações: o pódio de 2025

O fundo nacional mais rentável de 2025 foi o Caixagest Ações Portugal Espanha, com ganhos de 41,4% e mais de 47 milhões de euros sob gestão. A carteira estava fortemente concentrada em bancos espanhóis: quatro das seis maiores posições eram Santander, Sabadell, CaixaBank e Bankinter, completadas pela Inditex e pela EDP. Tem uma rendibilidade anualizada de 16,2% a cinco anos e de 6,9% a dez anos.

Além do ganho absoluto, teve o melhor rácio entre retorno e de todos os fundos nacionais de ações. Ou seja, foi o fundo que mais rendeu e o que mais ganhou com menos oscilações.

O pódio fica completo com o Montepio Euro Financial Services, com ganhos de 38,6%, e o PPA Ação Futuro, de ações europeias, com 33,1%, ambos do grupo Montepio e ambos favorecidos pela exposição ao setor financeiro europeu, que viveu um ano dourado.

Ações portuguesas: quase todos bateram o PSI

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Entre os fundos que investem só em empresas cotadas em Lisboa, o IMGA Ações Portugal, gerido por David Afonso, destacou-se com 32,7% na categoria A. Com um património superior a 418 milhões de euros, é o maior fundo de ações portuguesas, e tinha como principais posições a Galp, o BCP e a Jerónimo Martins. Em dez anos, rende 6,5% ao ano.

Na relação entre retorno e risco, o vencedor foi o Sixty Degrees Ações Portugal, gerido por Virgílio Garcia, com 32,6%, praticamente empatado com o IMGA, mas com um rácio 9% acima da média da categoria. Sinal de uma gestão mais disciplinada da , importante para quem investe a longo prazo.

Praticamente todos os fundos de ações portuguesas bateram o PSI em 2025, uma exceção ao padrão geral. A explicação está na menor eficiência do mercado português, que dá mais oportunidades a gestores capazes de encontrar empresas com preço abaixo do valor. Ainda assim, nenhum superou os 35,5% do PSI com dividendos incluídos.

PPR: atenção às comissões de desempenho

Nos PPR, que somam quase 19 mil milhões de euros, o fundo mais rentável de 2025 foi o Oxy Capital Liquid Opportunities PPR, na categoria DA, com 25,5%. Mas a estrutura de comissões merece atenção redobrada. O fundo cobra uma comissão de desempenho de 20% sobre a valorização acima de 8% ao ano, cobrada a cada cinco anos ou no resgate antecipado, o que pesa na rendibilidade líquida.

O pódio dos PPR fica completo com o Bankinter Mega TT PPR, com pelo menos 85% em ações e ganhos acima de 23%, e o Smart Invest PPR Dinâmico, do Banco Invest, com pelo menos 70% em ações, sobretudo via , e ganhos de 9,9%.

Para perfis mais conservadores, destacam-se o Bankinter Rendimento PPR (risco 2) e o Bankinter Obrigações EUR 2027 PPR (risco 3). Renderam 2,7% e 2,9%, sem brilho no valor absoluto, mas com um rácio entre retorno e risco bem acima dos concorrentes.

Obrigações desiludem

O universo das obrigações não foi fértil para os gestores nacionais. Mais de metade (54%) dos fundos de dívida renderam menos do que a inflação, com perdas reais para os subscritores. A subida das taxas de juro de longo prazo, sobretudo na primeira metade do ano, penalizou as carteiras.

Houve exceções. O Santander Investimento Global, exposto a obrigações mundiais através de um fundo gerido pela PIMCO, valorizou 5,51%, o melhor do ano. Seguiram-se o IMGA Rendimento Mais I, com 3,5%, e o IMGA Euro I, com 3,2%.

Tesouraria e imobiliário brilham

Os fundos de tesouraria, a alternativa mais direta aos depósitos, renderam cerca de 2,5% em 2025, um ponto acima da remuneração média dos depósitos até novembro. O IMGA Money Market USD A e o IMGA Money Market I destacaram-se, com 4,13% e 2,45%, e com um rácio entre retorno e risco muito acima dos concorrentes. Para quem procura uma alternativa aos depósitos, com liquidez e sem grande risco, deram ganhos reais.

No imobiliário, o fundo aberto mais rentável voltou a ser o AF Portfólio Imobiliário, da Interfundos, com 8,31%, repetindo a vitória de 2024. Com mais de 183 milhões de euros, rende 6,1% ao ano em dez anos, o melhor da categoria. Seguem-se dois fundos da Square Asset Management com melhor rácio entre retorno e risco: o Property Core Real Estate Fund (6,22%) e o CA Património Crescente (6,16%), o maior fundo imobiliário nacional, com mais de 1.400 milhões de euros.

Os derrotados

Entre os piores do ano estão as duas classes do 3CC Global Crypto Fund, com exposição a bitcoin, ethereum e solana, que perderam mais de 22%. A bitcoin chegou a um máximo acima de 121 mil dólares em outubro e caiu 27% até ao fim do ano, fechando perto dos 88 mil dólares.

Destaque ainda negativo para o fundo de obrigações Lynx Defensivo, que perdeu 17,8%, para o fundo imobiliário Fungepi, com -12,95%, e para o Optimize LFO Rise US Equities, de ações norte-americanas, com perdas entre 9,7% e 11%, penalizado pela queda de 12% do dólar face ao euro, apesar da subida do S&P 500.

Vale a pena pagar a gestão ativa?

O balanço de 2025 confirma uma verdade incómoda para a gestão ativa: mais de metade dos gestores continua sem conseguir justificar as comissões face aos índices de referência. Com apenas 48% dos fundos a bater o benchmark, a pergunta que deves fazer é se vale a pena pagar a gestão ativa ou se é mais sensato optar por alternativas passivas, mais baratas e, muitas vezes, mais eficazes.

Antes de escolheres um fundo, olha para o histórico a cinco e dez anos, não só para o último ano, para as comissões totais e para a comparação com o índice de referência. Um ano generoso como 2025 diz pouco sobre o próximo.

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Escrito por Luís Leitão — para o Portefólio Perfeito.

Escrito por Luís Leitão. Este artigo foi publicado originalmente no ECO a 2 de fevereiro de 2026.

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