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PPR do Estado volta a vencer os rivais privados, mas perde para a inflação

O Fundo dos Certificados de Reforma bateu os PPR privados com o mesmo risco em 2025 e na última década. Mas, descontada a inflação, quem lá pôs dinheiro há dez anos perdeu poder de compra.

Luís Leitão·31 de dezembro de 2025·Publicado no ECO
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Num ano marcado pela dos mercados, o Fundo dos Certificados de Reforma (FCR), conhecido como "PPR do Estado", voltou a destacar-se. Gerido pela equipa de José Vidrago no Instituto de Gestão de Fundos de Capitalização da Segurança Social (IGFCSS), fechou 2025 com ganhos próximos de 3% e, mais uma vez, à frente da concorrência privada.

Segundo cálculos do ECO com base no folheto informativo do FCR, o fundo rendeu 2,94% até 22 de dezembro de 2025, contra uma mediana de 2,68% dos 40 fundos PPR com o mesmo nível de risco. Confirma-se uma tendência: o fundo público tem superado, de forma consistente, a gestão privada dos PPR com perfil equivalente.

Em 2024, comparando também com fundos de pensões e PPR sob a forma de de risco 3, numa escala de 1 a 7, o PPR do Estado ganhou 5,21%, contra 4,07% da mediana dos 106 produtos comparáveis.

A diferença é mais clara a três anos: 5,27% ao ano no FCR, contra 4,67% dos fundos PPR do mesmo risco. A dez anos, a vantagem é quase nula: 1,14% ao ano contra 1,1%.

A inflação estraga a vitória

Nem tudo são boas notícias. Em 2025, descontada a inflação, a rendibilidade real do PPR do Estado ficou-se pelos 0,74%.

Mais preocupante é o longo prazo. Na última década, com uma inflação média de 2,14% ao ano, o FCR teve perdas reais médias de cerca de 1% ao ano. Apesar de ter batido a concorrência em termos nominais, quem investiu no PPR do Estado perdeu poder de compra. Ainda assim, em termos reais, os fundos PPR privados com o mesmo risco ficaram pior.

Como funcionam os Certificados de Reforma

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Os Certificados de Reforma foram criados em fevereiro de 2008, por iniciativa de José Vieira da Silva, então ministro do Trabalho e da Segurança Social. Fazem parte do Regime Público de Capitalização (RPC), um sistema complementar de para a reforma, de adesão individual e voluntária, gerido pelo Estado.

No final de 2025, o fundo tinha cerca de 70,5 milhões de euros sob gestão, mais 8,1% do que um ano antes.

Ao contrário dos PPR, subscritos em bancos, seguradoras e gestoras, a adesão aos Certificados de Reforma é feita na Segurança Social. Contribuis todos os meses com 2% ou 4% do salário que serve de base aos descontos para a Segurança Social, ou 6% se tiveres 50 anos ou mais ou trabalhares na área da cultura.

Cada contribuição é convertida em unidades de participação no fundo, os certificados de reforma. O valor acumulado só pode ser recebido quando tiveres direito à pensão de velhice ou por invalidez absoluta.

No final de 2024, o regime tinha 10.795 adesões, mais 2,4% do que no ano anterior, das quais 7.595 com entregas regulares. O aderente típico é um homem (56%), trabalhador por conta de outrem (74%), entre os 35 e os 50 anos (59%), que contribui com 4% do salário (44%), ganha entre uma e três vezes o dos Apoios Sociais (55%) e vive em Lisboa ou no Porto (50%).

As diferenças face aos PPR

Os Certificados de Reforma não garantem o capital, tal como muitos PPR. A grande diferença está na liquidez. Um PPR pode ser resgatado a qualquer momento, ainda que fora das condições legais haja penalizações fiscais. Os Certificados de Reforma só se convertem em complemento de reforma na aposentação por velhice ou invalidez absoluta.

As regras de investimento também são apertadas. Pelo menos 50% da carteira tem de estar em dívida pública de países da OCDE, metade da qual em obrigações do Tesouro português. As ações não podem passar de 25%, o imobiliário e as infraestruturas de 10% e a exposição cambial não coberta de 15%.

Mesmo com estas amarras, a equipa de José Vidrago tem conseguido acrescentar valor e com custos muito baixos: em 2024, os encargos de gestão foram de apenas 0,08% do património médio, muito abaixo da média dos PPR privados. Num produto de longo prazo, é uma vantagem importante.

Os Certificados de Reforma também têm benefícios fiscais e, para quem tem mais de 50 anos, melhores do que os PPR: dedução de 20% das entregas, até 400 euros até aos 35 anos e 350 euros para os restantes. No reembolso, as regras são iguais às dos PPR.

A adesão é feita por períodos de 12 meses. Em fevereiro, podes suspender ou manter as contribuições e alterar a taxa. A adesão renova-se automaticamente por um ano, com efeitos em março, salvo indicação em contrário.

O melhor de um conjunto fraco

A vitória do PPR do Estado sobre os PPR privados com o mesmo risco é clara, sobretudo a prazos mais longos. A gestão pública consegue bater a privada com uma mão presa às costas. Mas é esse mesmo horizonte que mostra a verdade incómoda: ganhos nominais robustos tornam-se ganhos reais magros quando se desconta a inflação.

Para quem está a poupar para a reforma e precisa, no mínimo, de proteger o poder de compra, o FCR é o melhor de um conjunto de opções fracas: vencedor nas estatísticas, insatisfatório na carteira.

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Termos neste artigo

Escrito por Luís Leitão — para o Portefólio Perfeito.

Escrito por Luís Leitão. Este artigo foi publicado originalmente no ECO a 31 de dezembro de 2025.

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