O mercado está cheio de falácias. Mas como reza a sabedoria popular, "uma mentira repetida várias vezes, acaba por se tornar verdade."
São várias as ofertas de produtos no mercado e análises aos mesmos que apontam para a ausência de risco do teu investimento. Isso é recorrentemente utilizado quando se fala de depósitos a prazo e de Certificados de Aforro. Mas isso não é verdade.
A partir do momento que colocas o teu dinheiro na mão de um estranho (um gestor, um banco ou até mesmo o Estado), estás a incorrer num risco. Pode ser grande, pequeno, médio ou ínfimo, mas tem um risco.
Desde logo o risco de incumprimento desse responsável que, em última instância, pode mesmo levar à perda do capital. E sim, isso também se aplica no caso do Estado. Mas há outro risco que nunca é contabilizado na carteira dos investidores e que corrói gradualmente o capital: chama-se inflação.
Nas palavras sábias de Warren Buffett, o verdadeiro risco que um investidor tem de enfrentar é se os rendimentos que ganha de um qualquer investimento, após descontar impostos e comissões, permitem-lhe, pelo menos, alcançar o mesmo poder de compra que tinha na altura do investimento, acrescido de uma modesta taxa de juro.
Com uma taxa de inflação média de 7,4% em março, depois de em 2022 ter-se vivenciado uma taxa de inflação média de 7,8%, é muito difícil encontrar investimentos que durante este período tenham possibilitado aos portugueses ganhar dinheiro. Mas essa é uma preocupação apenas dos investidores de curto prazo.
Aqueles que investem no longo prazo sabem que as oscilações de curto prazo do mercado e da economia pouco interferem na sua carteira. O que é verdadeiramente importante é manter uma estratégia disciplinada e orientada para o longo prazo para potenciar ao máximo as poupanças.
O risco é uma probabilidade de perda permanente de capital. No mercado acionista, esse risco é tanto maior quanto menor for o prazo do investimento. Mas nos tradicionais produtos "sem risco", o risco de perda permanente de capital é tanto maior quanto mais longo for o tempo que deixares o teu dinheiro estancado a servir de alimento à inflação.
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Escrito por Luís Leitão — para o Portefólio Perfeito.